SOBRE O BLOG
“A terra não pertence ao homem; o homem pertence a terra. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer sobre a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo”
(Chefe Seattle, 1854)
A partir do século XIX, com a Revolução Industrial, a humanidade intensificou a utilização de combustíveis fósseis nos meios de produção, passando a descartar quantidades cada vez maiores de gases poluentes na atmosfera como se não houvesse amanhã. Essa incrível inflexão histórica, considerada o marco inicial do Antropoceno, nos deu antibióticos, ozempics, intervalos do Super Bowl e o Tik Tok; contudo, desconfia-se que o CEO do empreendimento é negacionista convicto e capitalista selvagem (para alguns, pleonasmo - não julgo), e o resultado dessa festa danada no último século e meio foi o chamado efeito estufa (retenção excessiva de gases na atmosfera da linda bola azul), que vem a ser ninguém menos do que o ascendente direto do aquecimento global, que como o nome sugere, bem, está cozinhando boa parte do que está abaixo do sol. Isso tem se demonstrado bastante desagradável, causando infortúnios como o desaparecimento da biodiversidade e dos ecossistemas, o derretimento das calotas polares e a elevação dos níveis dos oceanos, entre outras consequências pouco populares. Dentre elas, um combo de eventos climáticos extremos, como furacões, inundações, queimadas, desertificações e todo o tipo de desastres naturais. Este pacote recebeu o apelido de emergência climática, que, para não ficar sem protagonismo na trama, tem produzido aquele forrobodó, como, por exemplo, tornado regiões do mundo inabitáveis, forçando assim milhares de pessoas a se deslocarem em busca de uma área menos afetada - e com sinal de internet. Esse fenômenos já é chamado de exílio climático.
Como o arguto leitor já percebeu nesta altura da conversa, somos ótimos em criar problemas e dar nomes a eles, mas não tão bons quando se trata de encontrar soluções. Pelo que noticiam os jornais, não há consenso entre os líderes globais quanto a salvar a vida sobre a Terra.
O Planeta A apresenta claros sinais de esgotamento, e infelizmente não há nada nem ninguém aquecendo na beira do campo. Talvez nosso personagem do início do texto tivesse alguma razão: ainda podemos garantir que haverá amanhã, mas alguém aposta suas moedas na próxima década?
O Diário do Fim do Mundo é qualquer coisa indefinida e em (des)construção, mas não por acaso emerge na cidade mais austral do planeta - Ushuaia, também conhecida por "Fim Do Mundo" ou “Terra Do Fogo" (você já ouviu falar em Piroceno?). Por mais desinteressante que seja o conteúdo encontrado aqui, pelo menos nos próximos dias não poderá ser acusado de falta de legitimidade: é literalmente um "Diário do Fim do Mundo".
Se você chegou até aqui, este blog não tem intenção de criar (mais) pânico ou desesperança, tampouco soar alarmista, mas é escrito por alguém que gostaria de ser mais otimista sobre o assunto.
@fimdomundoblog | Ushuaia - Fim do Mundo
